Quero ser uma avó não-tradicional.

Quero ser uma avó não-tradicional.

with Nenhum comentário
· Reading Time: 5 minutes

Nem toda avó é uma velhinha que só pensa nos netos. Você pode ser avó e ser também uma mulher poderosa e sensual .

Dê tempo ao tempo e especialmente dê ao seu neto a chance de conquistar você como avó. É enorme a probabilidade de que ele consiga.

Quando a etiqueta de “avó” não combina

Pode ser que a qualificação de “avó”, tão esperada por algumas mulheres, não esteja combinando na sua cabeça com a imagem que você tem de si mesma.

Isso é bastante comum quando o neto chega de forma inesperada, muito antes do que você imaginava.

A psicóloga Aline Melo de Aguiar, especialista em atenção integral à saúde materno-infantil, afirma que a rejeição inicial ao papel de avó pode estar ligada a um medo inconsciente de não se enxergar mais como mulher, devido à imagem tradicional da avó.

Além disso, qualquer mudança de papel tão importante na vida traz certa estranheza. Muitas mulheres sentem-se esquisitas quando se ouvem se denominando de “mãe” de alguém nas primeiras vezes talvez tenha até acontecido com você!

Crie suas próprias tradições

Não é porque você é avó que tem de seguir alguma espécie de “roteiro” para sua relação com seu neto. Você não precisa ser boa cozinheira ou saber fazer trabalhos manuais para ser uma boa avó.

O mais importante da relação entre avó e neto é a cumplicidade. Use a sua personalidade para encontrar passatempos e programas junto com seu neto.

Se você adora música, pode introduzir seu neto aos seus gostos musicais (mesmo que não seja “música de criança”). Caso sua paixão sejam os animais, leve seu netinho para passear em locais onde vocês possam observar os animais juntos.

Se você ama esportes, compartilhe esse amor com seu neto desde pequenininho, nem que seja assistir ao jogo com ele no colo no sofá da sala.

Pense que ele é uma pessoa novinha em folha, com quem você vai ter mais proximidade que quase qualquer outra pessoa, com a oportunidade de criar uma relação “do zero”.

Outra coisa que você pode fazer é criar oportunidades para se aproximar do seu neto que não sejam apenas as participações “obrigatórias” em eventos como festas de aniversário e apresentações da escola.

Nessas celebrações a criança está sempre muito distraída e ocupada, e sobra pouco tempo para os avós. Privilegie momentos de proximidade verdadeira com seu neto, fazendo parte da rotina, levando para passear ou acompanhando a uma aula comum de natação, por exemplo.

Capriche na diversão

Não existe “passeio tradicional” quando se trata de avós e netos. Se você é uma pessoa ativa e se considera até “radical”, leve essa modernidade para sua relação com o neto.

Em vez de evitar a convivência para não se sentir velha, faça o contrário: leve a modernidade para a convivência. Leve seu neto para viajar com você, ensine-o a surfar, a andar de bicicleta (claro que com a aprovação prévia dos pais).

E, mesmo que você não seja do tipo viciada em adrenalina, pode descobrir surpresas na relação com os netos. É o que conta a psicóloga Elizabeth Monteiro, no livro “Avós e sogras”. Ela descreve como estava cheia de dor na coluna e apavorada com o convite para passar o aniversário do neto num parque aquático.

“O troço deslizava sobre as águas e curvas a uma velocidade insuportável, e, assim como uma montanha-russa, despencou do pico mais alto até cairmos, quicando feito uma pedrinha jogada no lago, em uma piscina”, conta ela sobre a descida no tobogã em companhia da netinha.

“Nossa, que sensação de vida!”, resume. “A velhice está na cabeça das pessoas. Sarei de tudo. Acho que a minha dor lombar era psicossomática. Eu estava somatizando o medo e assim teria uma boa desculpa para me livrar do desafio.”

A convivência tão próxima com uma criança pode trazer jovialidade para sua vida: quer dizer, em vez de envelhecer você, talvez a experiência de ser avó rejuvenesça!

Não quer tomar conta de neto?

Não é porque você é avó que é obrigada a tomar conta dos netos. Existem dois papeis bem distintos: a da avó de fim de semana, aquela que curte o neto só em ocasiões especiais, e a avó cuidadora, que fica com a criança todo dia.

Ser uma avó cuidadora tem de ser opção. Existem outras opções de cuidados com a criança quando a mãe volta a trabalhar (creche, babá, outros familiares). É importante que você deixe claro se não está disposta a exercer esse papel.

Conforme você for convivendo com seu netinho, é provável que tenha vontade de ficar com ele sem os pais por perto. Isso porque o comportamento da criança muda, e as relações se estabelecem principalmente de pessoa para pessoa.

Assim, muitas avós unem o útil ao agradável ao oferecer tomar conta da criança por algumas horas enquanto os pais resolvem algum problema ou saem para um passeio, um cinema ou um jantar.

Você tem suas ocupações, seus afazeres e seus interesses, e seu filho ou filha precisam ter isso bem claro para não requisitar seus “serviços” de avó quando você não estiver disposta. É um equilíbrio delicado entre participar da vida do neto e ser explorada como se fosse uma babá grátis.

Se você estiver se sentindo explorada, abra o jogo com os pais do seu neto. Mas não fuja da convivência com a criança como “prevenção”. Separe as coisas. Estabeleça as regras e os limites e aproveite a companhia do seu neto.

E quem não quer ser chamada de vó?

Seu primeiro impulso foi pensar em pedir que seu neto chame você pelo nome, e não de “vó”? Espere um pouco para anunciar sua decisão. Afinal, seu neto ainda vai demorar um bom tempo para poder chamar você de qualquer coisa.

Se mesmo com a convivência você decidir que não quer ser chamada de “vó”, vá em frente e crie um apelido para você, ou espere que a criança decida como vai chamá-la. Só não abra mão da chance de conviver com essa criança tão especial, e de criar com ela uma relação única, só de vocês dois.

Fonte: babycenter

Deixe uma resposta